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O
professor de Educação Física e atualmente empreendedor de aventuras Roberto
Böell Vaz, 34 anos, conseguiu realizar uma façanha de dimensão continental
ao executar o evento "Na Trilha das Américas - Atlanta 96". Saiu de sua
casa em Florianópolis (SC) num Fusca 1.500, ano 75 (chamado carinhosamente
de Bumerangue) no dia 06 de junho de 1996 com destino a Atlanta (EUA),
para assistir o Centenário dos Jogos Olímpicos.
Chegou lá em 22 de julho, 3 dias depois da abertura
oficial da Olimpíada, mesmo atrasado presenciou a fatídica explosão que
ocorreu no Centenium Park e abalou as festivas expectativas que os jogos
prometiam; só no dia 05 de novembro, cinco meses depois, pôde descansar
em sua própria cama novamente, depois de percorrer mais de 42.000 km nas
três Américas.
Muitas foram as experiências vividas nesta viagem que
começou em São José, município vizinho a Florianópolis e cidade oficialmente
patrocinadora do evento, de lá seguiu juntamente com seu então companheiro
de viagem Flávio José Cardoso Júnior (repórter do jornal Diário Catarinense
- patrocinador), rumo ao Uruguai e depois Argentina e Chile, apesar do
frio de inverno com temperaturas próximas de zero graus, o primeiro grande
desafio veio somente com a passagem da Cordilheira dos Andes no Passo
de Los Libertadores entre Mendosa (Argentina) rumo a Santiago (Chile),
onde fortes ventos e neve, somados a uma temperatura de -7° C, acabaram
por obrigar os intrépidos aventureiros a cruzar a cadeia de montanhas
em um único dia.
Entre
Chile e Peru, o espetáculo ficou por conta do deserto de Atacama, a região
mais seca do planeta - em alguns lugares não chove a 900 anos - . O lugar
já foi habitado por civilizações muito antigas; recentemente foram encontradas
por lá múmias com mais de seis mil anos.
Em
sete dias foi possível cruzar toda o porção de deserto do território chileno,
passando por lugares fantásticos, como o Vale da Lua, com suas formações
rochosas similares a superfície lunar, os salares e gigantescos géiseres
vulcânicos, tudo isso nas proximidades da cidade de San Pedro de Atacama,
um vilarejo visitado e pesquisado por pessoas de todo mundo.
Cruzaram Peru, Equador e Colômbia pelos buracos da
rodovia Panamericana, onde o bravo fusquinha (Bumerangue) mostrou toda
sua força aguentando as exigências do percursso, já em Cartagena das Índias
no norte da Colômbia, foi necessário pegar um navio para que eles pudessem
ser levados ao Panamá, já que nesta porção das Américas não existem estradas
apesar de haver uma ligação continental.
Já na América Central a Nicarágua acabou sendo um dos
países mais acolhedor, sua população é muito hospitaleira e adora os brasileiros,
mesmo assim todo cuidado é pouco. De noite, além dos riscos normais, como
assalto e acidentes, é preciso estar atento aos animais que dormem na
estrada, como um cavalo que quase atropelaram - conta Roberto. A viagem
continuou por Honduras, El Salvador e Guatemala, chegando ao México e
entrando pelo sul dos Estados Unidos na aduana de Matamoros (México) com
Browsville (EUA).
Seguindo sem paradas demoradas, logo estavam em Atlanta,
onde encontraram outro fantástico aventureiro o ciclista Adilson Joe,
que havia pedalado de Itajaí - cidade também em Santa Catarina- até lá,
a amizade foi imediata; quase 40 dias se passaram até começar o retorno
para o Brasil.
A
grande surpresa porém foi a grata coincidência de encontrar o casal Lilian
e Fernando (ela brasileira casada com ele colombiano), moradores de Atlanta
que gentilmente hospedaram Robert Flávio em sua casa por três semanas;
Roberto sempre lembra deles com muito carinho e também do caloroso encontro
com o ídolo do futebol em todo mundo o atleta do século Pelé. Tudo parecia
perfeito, porém era necessário voltar ao Brasil e o desafio se tornara
maior pois o dinheiro que restava não era suficiente para completar o
trajeto, mesmo assim o desafio estava feito. Logo Flavio retornaria a
Florianópolis de avião, e nosso corajoso empreendedor, ficaria por sua
própria conta e sorte, onde ao cruzar a fronteira entre Brasil e Venezuela
sempre faz questão de lembrar - eu tinha apenas US$ 1,00 no bolso, mas
já me sentia em casa, apesar de estar a mais de 7.800 km de Florianópolis.
A estrada era ruim e foi obrigado a dormir dentro de uma reserva indígena,
bem no meio dos 860 km que separam Boa Vista de Manaus, os sons da mata
deram um gosto todo especial à noite; para chegar a Porto Velho em Rondônia,
foi preciso descer o rio Amazônas e subir o rio Madeira, foram seis dias
abordo de uma balsa, com muito calor e mosquitos, - pude ver a beleza
da floresta, comenta Roberto se referindo aos jacarés, botos, tartarugas
e outros bichos que viu.
Na
Chapada dos Guimarães o calor aumentou, quase 40° C o jeito foi se refrescar
com banhos de cascata, passando rapidamente por Brasília e Belo Horizonte,
a cada parada por menor que fosse, fazia sempre novos amigos que o ajudavam
com cortesias de gasolina ou mesmo comida, que somada aos seus enlatados
americanos ( doação de uma instituição americana - Harvard Child Nutrition
Company), supriam suas necessidades alimentares. Estava chegando!!, uma
rápida parada em São Paulo para visitar os amigos de infância e também
sua irmã Sandra, que trabalha e mora por lá hoje em dia.
Perto de Floripa, todos sabiam de sua chegada, alguns
buzinavam na BR 101 e até escolta de uma ambulância ele recebeu, com direito
a sirene e luzes - a ambulância retornava do serviço e estava vazia, é
claro!!
Segui
os últimos 90 kms sozinho para ser recebido com abraços e muito carinho
em Florianópolis, onde moram meus pais, amigos e parentes. O sonho estava
apenas começando.

...QUEM TEM UM SONHO
E ACREDITA NELE,
PODE CHEGAR A LUGARES
QUE NEM IMAGINA...
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